José Cícero da Silva vive isolado em uma pequena casa, em um sítio, no Município de Porteiras
Porteiras Sem qualquer companhia humana, apenas os cânticos de grilos, pássaros e coaxar de sapos. É assim que vive o agricultor José Cícero da Silva, isolado numa pequena casa de taipa com dois metros de frente e dois de fundos e apenas uma porta, localizada no Sítio Saco, Município de Porteiras, no sopé da Serra do Araripe, tendo como companhia as imagens do Padre Cícero e São Francisco pregados na parede de taipa da cabana. Alimenta-se apenas de farinha e açúcar que são levados por pessoas que moram nas proximidades. O acesso ao local é feito a pé.
O ermitão não possui nenhum documento, nem mesmo registro de nascimento. No entanto, as pessoas que o conhecem desde pequeno presumem que ele tenha mais de 80 anos. Não quer nem ouvir falar em aposentadoria. Não toma banho, nem troca de roupa. Nunca namorou, nem casou. Quando novo, trabalhava na moagem de um engenho de rapadura. Com o fechamento do engenho, há 30 anos, ele resolveu se isolar do mundo e dos poucos parentes que ainda estão vivos.
Quando alguém o procura para ajudá-lo, ele ameaça: “Se vocês continuarem com essa besteira, eu sobe de serra acima e nunca mais vocês me acham”. Apesar do sistema inusitado de vida, Cícero conversa normalmente, conhece as pessoas com quem conviveu na mocidade e justifica que está se sentindo muito bem no seu isolamento. “Quem quiser que cuide de sua vida, eu estou cuidado da minha”, responde.
Apesar de sua recusa em receber qualquer assistência, a família de seu ex-patrão, sempre manda uma pessoa à cabana para saber como ele se encontra. Na semana passada, ele pediu uma tesoura para cortar o cabelo e um litro de querosene para passar no corpo, a fim de repelir os insetos que o perturbam durante a noite.
No seu isolamento, o ermitão não quer saber do que está acontecendo do lado de fora de seu refúgio. Seus ex-companheiros de trabalho ganharam casas. Outros compraram carros e motos, mas nada disso o faz sair do seu esconderijo. Nem mesmo uma ordem judicial que o obrigava a tirar os documentos com o objetivo de receber ajuda dos programas sociais foi cumprida pelo ermitão.
Significado
Eremita ou ermitão é o indivíduo que, usualmente por penitência, religiosidade, misantropia ou simples amor à natureza, vive em lugar deserto, isolado. O local de sua morada é designado eremitério. Na história da Igreja Católica há um capítulo importante sobre os eremitas e o desenvolvimento da vida monástica, com destaque para Santo Antão do Deserto.
“José Cícero não defende nenhuma causa social, ambiental ou religiosa. Foi uma opção de vida, uma desilusão com o mundo que o cerca”, comenta o médico Napoleão Tavares Neves, proprietário da área onde o ermitão curte a sua solidão voluntária.
O local onde o eremita construiu o seu refúgio é cercado de misticismo, crendices e mitos que povoam o imaginário popular. Os moradores dizem que, durante a noite, aparece um “carneiro de ouro iluminado” que transita do pontal da serra para a Pedra Branca, um acidente geográfico situado a cerca de um quilômetro da cabana. Outros garantem que já ouviram barulho de talheres no interior da Pedra Branca que são atribuídos a uma “princesa encantada que mora dentro da pedra”.
Indiferente a estas crendices, José Cícero alimenta outras utopias como, por exemplo, a certeza de que a vida não lhe pertence. “Um dia, a morte vem me buscar”, acredita. Com esta concepção de vida e morte, sem se preocupar com horário, ou dia da semana, o ermitão prefere o anonimato, ou melhor, a solidão que o acompanhe desde menino, uma profunda sensação de vazio e isolamento, indiferente até mesmo aos animais que rondam sua cabana a procura de comida.
Por Antônio Vicelmo – Diário do Nordeste (matéria especial publicada dia 22/08/2010)
conheci o jozê cicero fiquei muito triste de ver ele tâo isolado das pessoas ele ia muito na casa do meu pai chiquim braz ele olhava muito para mim minhas amigas falava que ele gostava de mim nunca pensei em ver ele nessa situação e muito triste que deus der muita saude e paz para ele e que as pesoas que morâo mas perto dele o proteje e cuide mesmo que ele nâo queira que essas pesoas ajude no que for preciso nâo deiche ele sem o alimento.
conheço o Zé Cicero ele mora perto da minha cunhada(Lucia Tavares)conhecida como Sinha e ela sempre leva alimentos para ele,muito conhecido pelas colheres de pau que fazia para vender antigamente.Bom homem Que Deus abençoe a sua vida.
parabens pela atitude desse homem. eu gostaria de fazere o mesmo porque essa sociedade nao e digna de mim pela falta de respeito com seu semelhante. so nao gostei de nao kerer ttirar documentos, pois poderia se beneficiar recebendo bolsa salario e sexta basica. é um exemplo de pessoa que vive no seu mundo e nao se apega a nada. eu ainda serei assim.
Parabens a Antonio Vicelmo pelo o documentario do Jose Cicero .
Fiquei muito emocionada quando eu li e relembrei do tempo de criança e juventude que passei ai no sitio saco presenciando o dia a dia desse homem. Reelembrei com emoçao quando vi o seu nome vicelmo, que nao perdia nem umas de sua noticia no radio (educadora do cariri) do crato fiquei tambem contente quando vc falou de dr. Napoleao um homem que eu ademiro muito. um grande abraço. maria aparecida de campinas s paulo
Conheço o José Cícero, que apesar de viver isolado do mundo, tem um bom relacionamento com as pessoas que ele conhece. Mas acho que é realmente um caso único em Porteiras, um total contraste com esse mundo virtual que vivemos.